O cancro da cavidade oral constitui uma parte de um grupo mais vasto de cancros comummente designados por cancro de cabeça e pescoço. Aqui não se incluem os tumores do cérebro que constituem uma entidade á parte.

A análise dos dados do RORENO permite constatar que em 2007, no Norte de Portugal e respeitante a uma população estimada de 3.293.106 habitantes, foram diagnosticados no total 15.504 novos casos de cancro, o que corresponde a uma incidência de 405,8 novos casos/100.000 habitantes. Destes, 498 casos correspondiam a cancro da cavidade oral e faringe (409 no sexo masculino e 89 no sexo feminino); ou seja, 15,1 novos casos/100.000. Esta realidade coloca o cancro da cavidade oral e faringe na 7ª posição em termos de incidência anual, atrás respetivamente dos tumores digestivos, geniturinários, mama, respiratórios, linfomas e endócrinos. Em termos de distribuição por sexo verifica-se uma incidência francamente maior no homem (25,7 no sexo masculino para 5,2 no feminino). Por outro lado, a razão mortalidade/incidência em 2007 foi de 36% para o sexo masculino e de 26% para o feminino. Assim, numa população de cerca de 3,3 milhões de habitantes surgiram, no ano de 2007, 498 novos casos de cancro oral/faringe, tendo falecido 172 doentes por esta patologia.

As taxas de sobrevida rondam os 80 a 90% se o diagnóstico for efetuado precocemente

De acordo com os dados da literatura as taxas de sobrevida rondam os 80 a 90% se o diagnóstico for efetuado precocemente, mas, globalmente, pouco mais de metade dos doentes diagnosticados estará vivo ao fim de 5 anos, com morbilidade elevada relacionada com o tratamento, sendo que estes números não têm melhorado significativamente ao longo das últimas décadas.

Tacabo, álcool e HPV-16 relacionados com o cancro oral

Na esmagadora maioria dos casos as causas atribuídas ao aparecimento destes tumores são fundamentalmente duas: historicamente a principal causa em estado ligada ao consumo de álcool e/ou tabaco; recentemente a exposição ao HPV-16 tem sido o fator causal identificado num n.º crescente de casos; cerca de 7% dos casos tem causas não identificadas.

Taxa de mortalidade elevada devido, fundamentalmente, a diagnóstico tardio

A taxa de mortalidade associada a este cancro é particularmente mais elevada do que a de muitos outros cancros que ouvimos falar com maior frequência, não porque seja difícil o seu despiste ou diagnóstico, mas fundamentalmente devido ao seu diagnóstico tardio, fruto da ausência de educação da população para cuidados de saúde oral, sinais de alerta de lesões pré-malignas e de um programa de rastreio. Outro facto que tem contribuído, mais recentemente, para um diagnóstico mais tardio tem sido o aumento na incidência de cancros relacionados com o HPV, que geralmente se desenvolvem em localização mais posterior na cavidade oral e não produzem lesões tão evidentes como as tradicionalmente associadas a esta forma de cancro. Não raramente o cancro é descoberto devido ao aparecimento de nódulos cervicais metastáticos, já que a disseminação por via linfática é típica.

90% dos casos corresponde a carcinoma espinocelular ou de células escamosas

Outra particularidade destes tumores está relacionada com o facto de os principais fatores de risco afetarem difusamente não só o epitélio de revestimento da cavidade oral, mas também todo o das vias aerodigestivas superiores, o que acarreta um risco elevado de aparecimento de novos tumores primários a este nível. Isto significa que um doente que sobreviva a um primeiro tumor tem um risco elevado de desenvolver um segundo cancro, principalmente se não controlar adequadamente os fatores de risco. Existem vários tipos de cancro oral mas cerca de 90% dos casos corresponde a carcinoma espinocelular ou de células escamosas.

Atualmente tem-se registado um n.º crescente de casos em idades mais jovens julgando-se que isto possa estar relacionado com a infeção pelo vírus do papiloma humano 16 - HPV (transmissão sexual entre parceiros) e em alguns países com o crescente hábito de substituir o tabaco tradicional pelo tabaco não fumado, o que embora possa diminuir o risco de cancro do pulmão não afeta o risco de cancro oral. Acredita-se mesmo que na faixa etária abaixo dos 50 anos o HPV-16 possa estar a substituir o tabaco como a principal causa no início do processo tumoral.

Tradicionalmente estes tumores afetavam mais o sexo masculino numa proporção de 6 para 1, sendo agora de apenas 2 homens por cada mulher. Mais uma vez isto parece estar relacionado com mudanças no estilo de vida (maior consumo de tabaco nas mulheres) e infeção pelo HPV.

Fatores de Risco

Dados recentes mostram que o segmento da população onde a incidência do cancro oral  tem aumentado mais rapidamente é nos não fumadores com menos de 50 anos. De igual forma se tem assistido a uma diminuição  na incidência do cancro nas localizações geralmente atribuídas ao álcool e ao tabaco.

Sinais e Sintomas

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Diagnóstico

Cabe ao seu médico avaliar o significado dos sintomas e sinais, que podem ser comuns a outras patologias.

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